terça-feira ,17 julho 2018
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Era uma vez em SP… Penitenciária do Carandiru

Implodida em 2005, penitenciária teve história marcada por massacre de presos em 1992

Diferente de todos os demais lugares tratados na série Era uma vez em SP… a Penitenciária do Carandiru não está gravada de maneira saudosa na memória dos paulistanos. Pelo contrário, a história do presídio está marcada pela rebelião de presos que terminou no massacre de 111 detentos pela Polícia Militar em outubro de 1992, um dos episódios mais perturbadores da ação policial em São Paulo.

Após um longo processo de desativação, aos poucos a cidade foi se despedindo do presídio. Os pavilhões 6, 8 e 9 foram implodidos em 2002 , e julho de 2005  foram os pavilhões 2 e 5 que foram ao chão, terminando o processo de implosão do Carandiru. No local  foi erguido o Parque da Juventude. Os pavilhões 4 e 7 foram transformados em Escolas Técnicas.

A Penitenciária do Estado começou a ser construída em 1911 e foi inaugurada em 1920 sob a promessa de ser um estabelecimento prisional modelo. Na época, São Paulo vivia um período de desenvolvimento econômico, que se beneficiava e estimulava o crescimento populacional da região. Nesse mesmo período, o aumento da criminalidade e a ausência de estabelecimentos prisionais adequados estavam entre os problemas enfrentados pelo Estado. A construção da nova penitenciária mostrava-se uma necessidade. O bairro do Carandiru, na zona norte, foi escolhido para abrigar o complexo. Francisco de Paula Ramos de Azevedo foi o engenheiro-arquiteto responsável pela obra, que tinha como modelo a arquitetura prisional francesa.

O Estado de S. Paulo – 13/5/1911 e 21/4/1920
 

Superlotação e massacre. Na década de 1940 a prisão começou a exceder sua lotação máxima. Em 1956 ganhou novos pavilhões, após reforma e ampliação das instalações, passou a ser foi considerada uma das prisões mais seguras do mundo. Mas, a falta de investimentos na estrutura prisional, o aumento do índice de criminalidade e a falta de estabelecimentos prisionais no Estado, fizeram crescer o número de detentos no Carandiru, nos anos 70, 80 e 90. Mesmo antes do massacre, a imagem de instituição modelo havia ficado há tempos no passado por causa da violência entre os muros, fugas e a superlotação (leia mais em Carandiru: a profecia que se concretizou). O Carandiru havia sido projetado para abrigar 3.300 detentos. Entretanto, no dia 2 de outubro de 1992, estava com mais de 7 mil presos.

O Estado de S. Paulo –  4/10/1992
  

Fonte: acervo.estadao

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