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Suicídio

O dicionário define o SUICÍDIO como “ato ou efeito de suicidar-se. Desgraça ou ruína causada por ação do próprio indivíduo, ou por falta de discernimento, de previdência etc.”

Palavra muito forte está, não? Tão forte que chega a ser pouco pronunciada e o seu significado ninguém quer ver à sua frente, mas infelizmente a vida nos proporciona situações que não nos faz isentos de ouvir ou ver o significado desta palavra.
Exemplo disso sou eu que quando criança vi um vizinho de meu avô, suicidado por enforcamento dentro do seu próprio quarto e já adulto no exercício da minha profissão mais duas cenas destas cheguei a vivenciar, fatos estes que marcaram minha vida e até relato em meu livro, o primeiro caso foi um preso que se enforcou com sua própria calça e segundo foi outro que se jogou de cabeça ao chão, nos dois casos os presos se encontravam sozinhos dentro de uma cela.
Tais situações não são muito ocorrentes em meio social e por já ter vivenciado três cenas destas, achei que elas já estariam suficientes.
Mas a vida me escolheu novamente e a quarta vivencia chegou por telefone, quando uma amiga minha me ligou e disse: “Anderson vai até minha casa e cuida da minha mãe, pois minha prima acabou de se suicidar e quando a notícia chegar lá ela pode passar mal”, fui sim fazer este favor e a mãe da minha amiga passou sim muito mal e tive que leva-la ao pronto socorro do hospital, onde lá também se encontrava o corpo daquela jovem que se suicidou tomando uma alta dosagem de remédios e não tive como fugir da situação de acompanha-la ao necrotério para ver o corpo de sua sobrinha e tais vivencias não acabaram por aí, pois novamente no exercício da profissão à poucos dias tive que ver outro preso enforcado com uma corda feita com os tecidos de sua própria roupa e pra complementar a situação ele morreu no setor qual estava eu como responsável, sendo assim em apoio a Polícia Científica tive até que retira-lo da corda qual estava pendurado.
Se já não bastasse ter vivenciado estas cinco cenas, por ser um profissional desta área definhada de alta PERICULOSIDADE (qualidade ou estado de ser perigoso, podendo causar acidentes e até a morte) e INSALUBRIDADE (caráter ou qualidade de insalubre, ou seja, que não é saudável podendo pode causar consequências indesejáveis a nossa saúde) fui obrigado a ver só neste ano, a sétima publicação em meios sociais de companheiros de trabalho que também se suicidaram.
Lógico que em todos os fatos os motivos estão ligados a questões espirituais, psicológicas e questões particulares da vida de cada um, mas também posso garantir que no caso dos sete profissionais “Agentes Penitenciários” que vieram a cometer estas tragédias, parte da culpa é também deste Estado, que nos abandona neste meio profissional de alta periculosidade e insalubridade, sem as condições necessárias para efetuar nosso trabalho, sem apoio psicológico, negando licenças médicas e por não reajustar os nossos salários. Todos estes problemas nos levam a ficar apreensivos, preocupados e quando trombam com a particularidade frágil do discernimento de cada um, mais um SUICÍDIO ocorre, sendo assim peço que cumpram com suas obrigações, pois caso tivessem às cumprido, tal previdência poderia inibir algumas ocorrências e neste texto eu teria citado apenas cinco suicídios e não doze.

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